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Feijão pode chegar a R$ 12 o quilo em 2027, mesmo alta no campo

Redução na área de plantio, escassez de estoques e riscos climáticos pressionam o mercado; repasse ao consumidor pode atingir níveis recordes até fevereiro

Estoque reduzido e desestimulo na área plantada podem levar o feijão-carioca a patamares recordes na gôndola
Estoque reduzido e desestimulo na área plantada podem levar o feijão-carioca a patamares recordes na gôndola -

Publicado por Eduarda Gomes

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O mercado do feijão atravessa um cenário atípico em setembro. A leguminosa apresenta preços elevados no campo e mantém uma trajetória de alta constante, mas essa valorização não tem sido suficiente para incentivar o produtor rural a expandir o plantio. De acordo com avaliações do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), os primeiros indicativos para a safra 2026/27 sinalizam redução da área cultivada em regiões estratégicas, o que pode fazer com que o preço do quilo do feijão-carioca chegue próximo de R$ 12 ao consumidor final em determinados locais em fevereiro de 2027, atingindo um patamar recorde.

As cotações no campo aceleraram nas últimas semanas. Segundo Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe, já ocorrem negociações acima de R$ 310 por saca, com aumentos registrados de R$ 10 a R$ 15 em períodos de três a quatro dias, sem sinais imediatos de estabilização do teto de preços.

O atual ciclo de valorização destaca-se pelo período do ano em que ocorre. Tradicionalmente, a colheita da terceira safra, concentrada entre os meses de junho e agosto, ampliaria a oferta no mercado e abriria margem para uma acomodação das cotações. Contudo, o volume colhido entrou em um mercado que já operava com preços altos e sem estoques de passagem.

A atratividade das cotações motivou os produtores a venderem a produção rapidamente para diminuir a exposição a custos e riscos de armazenagem, resultando em estoques baixos no mês de setembro, período em que o mercado habitualmente iniciaria a formação de reservas para os primeiros meses do ano seguinte.

Mesmo diante do quadro valorizado, não há sinalização de expansão da área plantada no ciclo 2026/27. No Estado do Paraná, um dos líderes na produção, o Ibrafe projeta que a primeira safra ocupe por volta de 90 mil hectares, volume inferior aos 104 mil hectares registrados no ciclo anterior, o que representaria o menor nível desde a safra 2015/16.

Conforme dados publicados pela CNN Brasil, a opção do agricultor em não ampliar o cultivo se justifica pela comparação econômica com a cultura da soja. Na métrica adotada pelo Ibrafe, a equivalência de remuneração para o produtor exige que uma saca de feijão corresponda ao valor de duas sacas de soja. Com a saca de soja cotada a R$ 152, o feijão precisaria girar em torno de R$ 304 para igualar a rentabilidade, valor atingido pelo carioca em setembro.

No entanto, a soja leva vantagem nos critérios de decisão do produtor por apresentar maior liquidez, demanda internacional garantida por grandes empresas do setor e superior resistência ao excesso de chuvas. Como o feijão envolve maior risco operacional e comercial, além do acesso limitado ao seguro agrícola, os preços elevados não geram o mesmo incentivo de ampliação de área em relação à soja.

As projeções meteorológicas para a primavera e o verão da safra 2026/27 indicam a ocorrência de um fenômeno El Niño forte. Os impactos previstos variam conforme a região. Na Região Sul, o excesso de precipitação pode atrasar os trabalhos de plantio e dificultar operações de campo; em outras localidades, a combinação de calor forte e irregularidade de chuvas tende a prejudicar lavouras de sequeiro.

Caso a primeira safra não forneça volume adequado para recompor a oferta e os estoques permaneçam baixos, a pressão sobre o varejo deve se intensificar nos meses de fevereiro e março. A estimativa de R$ 12 por quilo calculada pelo Ibrafe reflete um cenário condicionado aos fatores de área, produtividade, clima e fluxo de vendas, aplicando-se a determinadas regiões do país.

Lüders pondera que variações anteriores na faixa de R$ 5 a R$ 10 por quilo não provocaram quedas expressivas no consumo do produto. O teto de retração da demanda é estimado entre R$ 12 e R$ 15 o quilo. Eventuais altas expressivas nesse nível tendem a se concentrar entre os meses de fevereiro e maio, momento em que a entrada da segunda safra costuma trazer alívio ao mercado. Além disso, a substituição por outros tipos de feijão encontra limitações, uma vez que o feijão-caupi apresenta oferta restrita e o feijão-preto enfrenta dependência de importações da Argentina.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Estimativa de Preço Recorde: O quilo do feijão-carioca pode alcançar R$ 12 no varejo em fevereiro de 2027 devido à combinação de estoques baixos e cotações da saca acima de R$ 310 no campo.

- Concorrência com a Soja e Área Menor: Mesmo com o preço do feijão em alta, produtores preferem plantar soja pela maior liquidez, garantia de compra e menor risco climático; no Paraná, a área de feijão na 1ª safra pode cair para 90 mil hectares.

- Riscos Climáticos e Alternativas Escassas: A previsão de um El Niño forte traz incertezas para a safra 2026/27, enquanto a substituição do feijão-carioca pelo consumidor é dificultada pela baixa oferta de feijão-caupi e feijão-preto.

CONTEÚDO DE MARCA

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