Advogado de PG acusado de passar informações a criminosos será julgado nesta quarta
O advogado foi investigado na operação Coordenada Falsa, visando desarticular toda a cadeia criminosa envolvida na morte de Everton dos Santos

Investigado na operação 'Coordenada Falsa', deflagrada em dezembro de 2025, em Ponta Grossa, para desmantelar grupo criminoso, o advogado José Mauricio Barros Junior começa a ser julgado nesta semana. A audiência foi marcada para o dia 17 de junho, às 9h30. A informação foi repassada ao Portal aRede, pelo seu defensor, o advogado Luis Carlos Simionato Júnior. Também vão atuar na defesa os advogados Piero Mocelim e Renato João Tauille Filho.
Em nota encaminhada ao Jornalismo do Grupo aRede, Simionato assegura que José Mauricio não possui qualquer vínculo com o crime que lhe é atribuído, sendo absolutamente indevida a tentativa de apontá-lo como autor intelectual de homicídio sem respaldo probatório idôneo.
"As declarações que vêm sendo amplamente divulgadas carecem de contextualização adequada e não refletem a realidade dos fatos constantes nos autos, construindo uma narrativa pública dissociada do conjunto probatório e antecipando juízos de culpa incompatíveis com o Estado Democrático de Direito. A persecução penal deve observar, de forma intransigente, o princípio da presunção de inocência (art. 5º, LVII, da Constituição Federal), bem como o devido processo legal substancial, que impede imputações ampliadas, simbólicas ou baseadas em conjecturas, especialmente quando em jogo a honra, a liberdade e a própria dignidade profissional do réu", explica Simionato.
Ele confia que a análise técnica, imparcial e constitucionalmente orientada dos fatos demonstrará a total inconsistência da imputação, com o restabelecimento da verdade e o respeito às garantias fundamentais que regem o processo penal.

Entenda o caso
No final do ano passado, as investigações realizadas pela Polícia Civil de Ponta Grossa revelaram que o crime foi planejado com base em informações privilegiadas obtidas indevidamente. Um dos principais investigados é um advogado, que teria utilizado suas prerrogativas profissionais e acesso a sistemas judiciais restritos para rastrear o endereço de um desafeto de seus clientes — o verdadeiro alvo dos assassinos.
Segundo o apurado pela Polícia Civil, este investigado consultou processos de execução penal e dados de monitoramento eletrônico para localizar a residência do alvo. Contudo, ao repassar a informação aos executores, indicou o número predial incorreto. O erro na identificação do imóvel levou os criminosos a invadirem a casa errada, resultando na morte de um trabalhador que não tinha nenhuma relação com os fatos ou com o submundo do crime.
O trabalhador morto é Everton Henrique dos Santos, de 35 anos, assassinado em setembro de 2024. Everton estava dormindo em sua residência, junto de sua família, quando a casa foi invadida por criminosos armados. Everton, que era motorista de ônibus, foi alvejado diversas vezes dentro de sua própria casa pelos criminosos, crime que comoveu a cidade de Ponta Grossa pela brutalidade.
Conforme divulgou o 13ª SDP durante a manhã desta terça-feira (02), a Polícia Civil confirmou que o crime se tratou de um erro de execução do plano criminoso. Os policiais informaram que os criminosos procuravam um rival que residia nas proximidades, assassinando Everton em seu próprio lar, localizado na rua José Roberto Schibelski, no Jardim Royal, Neves, em Ponta Grossa.
Natural de Wenceslau Braz, no norte pioneiro, Everton residia em Ponta Grossa com sua família e trabalhava como motorista de ônibus em uma empresa de transportes com sede na cidade princesina. O pai de família foi sepultado no dia 2 de setembro de 2024 no cemitério do Parque Jardim Paraíso.






















