Fim do transporte nas cidades do interior preocupa policiais militares | aRede
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Fim do transporte nas cidades do interior preocupa policiais militares

Na prática, policiais que percorrem longas distâncias para cumprir escalas operacionais, muitas delas no regime de 24 horas de serviço por 48 horas de folga, passarão a utilizar veículos particulares, motocicletas, ônibus ou depender de caronas para chegar aos seus locais de trabalho e retornar para casa

Em algumas situações, o deslocamento entre a residência do policial e o município onde está lotado pode ultrapassar três horas de viagem, tanto na ida quanto na volta
Em algumas situações, o deslocamento entre a residência do policial e o município onde está lotado pode ultrapassar três horas de viagem, tanto na ida quanto na volta -

Diego Chila

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Uma decisão administrativa anunciada pelo novo comando do 26º Batalhão de Polícia Militar determinou que, a partir do dia 6 de agosto de 2026, deixará de ser disponibilizado o micro-ônibus utilizado para o transporte de policiais militares que se deslocam para assumir o serviço em municípios da área de atuação da unidade. A medida também atinge os chamados transportes solidários realizados com veículos oficiais.

Na prática, policiais que percorrem longas distâncias para cumprir escalas operacionais, muitas delas no regime de 24 horas de serviço por 48 horas de folga, passarão a utilizar veículos particulares, motocicletas, ônibus ou depender de caronas para chegar aos seus locais de trabalho e retornar para casa.

A mudança tem gerado preocupação entre integrantes da Corporação. Em algumas situações, o deslocamento entre a residência do policial e o município onde está lotado pode ultrapassar três horas de viagem, tanto na ida quanto na volta. Após um turno ininterrupto de 24 horas, o desgaste físico e mental é um fator que merece atenção, principalmente quando o militar ainda precisa enfrentar centenas de quilômetros ao volante.

A equipe do Portal aRede entrou em contato com um policial militar que utiliza este tipo de transporte. Confira o relato:

"Essa decisão preocupa porque não estamos falando apenas de transporte, mas de vidas. O 26º Batalhão já perdeu policiais em acidentes de trânsito durante deslocamentos relacionados ao serviço. Eram companheiros de farda e amigos nossos. Quem faz uma escala de 24 horas sai física e mentalmente desgastado, e ainda enfrentar horas de estrada em veículo próprio aumenta o risco. Por isso, o transporte institucional sempre foi visto como uma medida de segurança, não apenas como uma facilidade. Nossa maior preocupação é que novas tragédias possam acontecer".

Nos últimos anos, diferentes regiões do Paraná registraram acidentes de trânsito envolvendo policiais militares durante o deslocamento para o serviço ou no retorno para casa. Embora cada caso possua circunstâncias próprias, esses episódios reforçam a importância de medidas que contribuam para reduzir riscos e proporcionar um deslocamento mais seguro aos profissionais responsáveis pela segurança da população.

O transporte institucional sempre representou, para muitos militares, uma alternativa de segurança, permitindo que o efetivo chegasse ao serviço em melhores condições físicas e retornasse às suas residências sem a necessidade de enfrentar longas viagens após jornadas exaustivas.

A discussão vai além de uma questão logística. Ela envolve a valorização do policial militar, a preservação de sua integridade física e a busca por condições de trabalho que contribuam para um serviço cada vez mais seguro e eficiente.

O Giro 190 reconhece que decisões administrativas fazem parte da gestão pública. Ao mesmo tempo, entende que medidas que impactam diretamente a rotina operacional dos policiais também merecem ser debatidas sob a ótica da segurança, da saúde ocupacional e da eficiência do serviço prestado à sociedade.

Afinal, um policial que se desloca com segurança também tem melhores condições de proteger a população.

Em atualização.

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