Laudo descobre fenol nas roupas de piloto morto após 'banho de óleo' em PG
Perícia acha fenol em roupa de piloto no PR, indica asfixia e divergência com líquido achado em garrafa

Um laudo da Polícia Científica do Paraná, assinado em 3 de setembro de 2026 pelo perito oficial criminal, identificou a presença de fenol nas roupas de Gustavo Henrique Lara, de 27 anos. O jovem engenheiro e aluno de aviação morreu no dia 16 de julho após ser submetido a um tradicional "banho de óleo" em comemoração ao seu primeiro voo solo em Ponta Grossa. O exame atende à solicitação da 13ª Subdivisão Policial (SDP), responsável por conduzir as investigações.
A análise pericial foi realizada em uma bermuda e uma cueca encaminhadas para a perícia, as quais se encontravam totalmente embebidas por um líquido de coloração castanho-esverdeada. Por meio de cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, constatou-se a presença de fenol em solução aquosa no tecido das peças de vestuário.
Em contrapartida, o exame analisou aproximadamente 300 mililitros de líquido acondicionado em uma garrafa plástica apreendida no local. Nessa amostragem, os peritos identificaram uma mistura complexa de fenol associado a hidrocarbonetos lineares, ramificados e aromáticos, composição considerada compatível com derivados de petróleo.
A comparação entre os dois materiais foi realizada via
espectrofotometria FTIR (Infravermelho por Transformação de Fourier), que concluiu que as duas amostras não são compatíveis entre si. Na conclusão, o laudo reforça que a substância das vestes corresponde a uma solução fenólica aquosa, enquanto a amostra da garrafa contém fenol associado a diferentes hidrocarbonetos. O perito ressaltou que não é possível determinar a origem das diferenças, nem se houve contaminação ou adulteração voluntária/acidental sem o confronto com um padrão original fornecido pelo fabricante do produto.
O que é o fenol e os impactos no organismo
O fenol (ou ácido fênico) é um composto orgânico tóxico e corrosivo com capacidade de provocar queimaduras químicas e rápida absorção pelas vias cutânea e respiratória, podendo desencadear intoxicação sistêmica grave.
A perícia destacou que o encharcamento completo das vestes demonstrou uma exposição de alta densidade e grande extensão na superfície corporal da vítima. A absorção e a inalação do produto provocaram queimaduras químicas no rosto, coxas e abdômen, além de causarem um edema de vias aéreas superiores (inchaço na garganta). Esse bloqueio impediu a passagem de ar, levando à asfixia mecânica por edema de via aérea — efeito totalmente compatível com os achados do laudo de necropsia.
Relembre o caso
O incidente ocorreu em uma escola de aviação durante o ritual de comemoração ao voo solo. Logo após o líquido ser despejado sobre o seu corpo pelo instrutor, Gustavo começou a passar mal, apresentou severa dificuldade para respirar e sofreu uma crise convulsiva seguida de paradas cardiorrespiratórias. Ele chegou a ser socorrido por familiares e atendeu a intervenções do Samu, mas não resistiu.
O instrutor da escola foi preso em flagrante por homicídio culposo à época, sendo liberado após o pagamento de fiança no valor de R$ 3 mil. A Polícia Civil deve concluir o inquérito e apresentar o indiciamento dos envolvidos nesta segunda-feira (21).



