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Lula tem 50,3% e Flávio 49,7% dos votos válidos, diz Colectta

Pesquisa mostra empate técnico na véspera do segundo turno, mas aponta que mais eleitores acreditam na vitória de Flávio Bolsonaro do que na reeleição de Lula

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) -

Da Redação

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 50,3% dos votos válidos, contra 49,7% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo pesquisa do Instituto Colectta encomendada pelo Brazil Economy e divulgada neste sábado (24). A diferença de apenas 0,6 ponto percentual configura empate técnico, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Na intenção de voto estimulada, que inclui votos brancos, nulos e indecisos, Lula registra 46,5%, enquanto Flávio tem 46%. Outros 4,4% pretendem votar em branco, anular o voto ou não escolher nenhum candidato. Os que não sabem ou não responderam somam 3,1%.

O levantamento ouviu presencialmente 3 mil eleitores em 101 municípios das 27 unidades da Federação, na sexta-feira (23), e tem nível de confiança de 95%.

Apesar do equilíbrio nas intenções de voto, os entrevistados demonstram expectativas diferentes sobre o resultado da eleição. Para 50,3%, Flávio Bolsonaro será o próximo presidente da República, enquanto 39,7% acreditam na reeleição de Lula. Outros 9,7% não souberam responder.

Entre os eleitores do senador, 89,3% acreditam na vitória de Flávio. Já entre os apoiadores de Lula, 76,1% apostam na reeleição do presidente, mas 13,9% consideram que o adversário vencerá.

"Por enquanto, a diferença entre os candidatos é estatisticamente insuficiente para apontar um favorito", afirmou Rafael Adib, CEO do Instituto Colectta. Segundo ele, o resultado evidencia que intenção de voto e expectativa de vitória não necessariamente caminham juntas.

Quase 95% não pretendem mudar o voto

A pesquisa revela que a disputa chega à reta final com as preferências praticamente consolidadas. Entre os entrevistados que escolheram um dos candidatos, 94,8% afirmam que seu voto é definitivo. Apenas 4,9% admitem mudar de escolha até domingo (25).

O índice de convicção é semelhante nas duas campanhas: 94,8% entre os eleitores de Lula e 94,9% entre os de Flávio.

A possibilidade de mudança é maior entre os jovens de 16 a 24 anos. Nessa faixa, 10,8% dos apoiadores de Flávio admitem rever o voto, contra 7,3% dos eleitores de Lula.

Outro dado mostra que a identificação com o candidato é o principal motivo da escolha para 64,7% dos entrevistados. Já 22,1% dizem votar principalmente para impedir a vitória do adversário.

O voto motivado pela rejeição é mais frequente entre os apoiadores de Flávio: 26,3% afirmam escolher o senador para evitar a reeleição de Lula. Entre os eleitores do presidente, 18% dizem votar para impedir a vitória de Flávio.

Com tão poucos eleitores dispostos a mudar de candidato, a mobilização das campanhas pode ganhar importância. Segundo o levantamento, 92,6% dos entrevistados afirmam que certamente comparecerão às urnas.

Flávio atrai mais eleitores de candidatos derrotados

Os dois presidenciáveis preservam a maior parte dos votos recebidos no primeiro turno. Entre aqueles que escolheram Lula, 97,1% pretendem repetir o voto. No eleitorado de Flávio, a fidelidade chega a 96,4%.

Entre os eleitores de candidatos derrotados, porém, Flávio apresenta vantagem numérica na transferência de votos.

Dos que votaram em Augusto Cury, 37,5% declaram apoio ao senador, contra 33,4% a Lula. Entre os eleitores de Renan Santos, os percentuais são de 40,9% e 30,4%, respectivamente. Já entre os apoiadores de Ronaldo Caiado, Flávio registra 35,9%, ante 30,7% do presidente.

O cenário se inverte entre os que não compareceram às urnas no primeiro turno. Nesse grupo, Lula alcança 51,8% das intenções de voto, enquanto Flávio tem 34,3%.

Os dados indicam que a capacidade de levar novos eleitores às urnas pode influenciar o resultado de uma disputa tão apertada.

Avaliação do governo divide eleitorado

A aprovação do governo Lula chega a 47%, enquanto 49,7% desaprovam a maneira como o presidente administra o país.

A percepção sobre a proximidade de Lula com os problemas cotidianos também revela dificuldades para o petista. Para 49,4% dos entrevistados, o presidente esteve distante ou muito distante das preocupações da população. Outros 34,4% o consideram próximo ou muito próximo.

Essa avaliação tem peso especialmente entre os eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno.

Nesse grupo, quando há percepção de distanciamento, 55,8% declaram voto em Flávio e apenas 13,2% em Lula. Entre os que consideram o presidente próximo de suas dificuldades, a preferência se inverte: 60,5% apoiam Lula, contra 16,9% que escolhem Flávio.

O levantamento também mostra que 49,2% dos entrevistados consideram que Lula falou predominantemente sobre assuntos distantes de sua realidade.

Apesar das críticas, o Bolsa Família continua sendo a ação mais lembrada espontaneamente do governo, citado por 24,6% dos entrevistados. O Pé-de-Meia aparece com 7,8%, seguido pelo Minha Casa, Minha Vida, com 5,2%.

Segurança e saúde lideram preocupações

A pesquisa também investigou quais problemas os brasileiros consideram mais graves.

A segurança pública lidera as respostas espontâneas, mencionada por 17,9% dos entrevistados, seguida pela saúde, com 16,6%, corrupção, com 12,5%, e economia, com 9,4%.

As prioridades variam conforme a preferência presidencial. Entre os que apontam a economia como principal problema, 74,4% declaram voto em Flávio, contra 18,9% em Lula. O senador também lidera entre aqueles que mencionam a corrupção, com 70,9%, ante 21,5% do presidente.

Lula, por sua vez, apresenta vantagem entre os entrevistados que consideram a saúde o maior problema do país, com 57,5%, contra 32,7% de Flávio.

A divisão também aparece na confiança nas instituições. Enquanto 67,5% dos eleitores de Lula dizem confiar muito ou razoavelmente na Justiça Eleitoral, o percentual cai para 40,1% entre os apoiadores de Flávio.

Para Rafael Adib, o levantamento mostra que, além de uma disputa equilibrada, o próximo presidente encontrará um eleitorado dividido na avaliação da economia, do governo e das instituições.

Com informações de Congresso em Foco.

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